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Em Verdade, Vergonha em 14/10/2009 às 14:21

Incrédulos ficariam vocês se eu contasse o motivo de eu ser a namorada mais perfeita do mundo e tendo em comum com você tudo o que você sempre quis e desejou. Por isso me deixou tão abismada esse fim de relacionamento. Isso me destruiu como poucas pessoas já ficaram, no entanto em apenas dois dias e tão somente dois dias estou ótima.  É essa a beleza de ser quem eu sou, por um lado um dom intolerável por outro a bênção de não sofrer.

Mas voltando para o o que me propus a escrever, em consideração àqueles que por minhas mãos já passaram.

Meu primeiro namoradinho.. opa, volta, volta. Na verdade minha primeira relação sexual foi na primeira série, me escondi por trás de um quadro negro removível com o Doravante e sentimos que precisávamos ter relações através da dica de uma borboleta no estômago, após compartilharmos informações sobre o que sabíamos sobre o sexo decidimos mijar, isso mesmo, mijar, se olhando, se tocando e mijando, os dois nus.

Na verdade a idéia de ficar nu veio antes, eu disse a ele que já tinha visto que era assim que adultos fazem sexo e ao nos vermos nus, sentimos que mijar era a melhor solução para o incômodo da sensação estomacal, não preciso dizer que nos pegaram, óbvio, não éramos perfeitos em disfarces, hoje sou melhor que isso, mas ali foi um ponto alto de minha vida, um momento de decisões bizarras e eternas.

Vale a pena dizer que hoje o Doravante é viciado em cocaína e nada por ele eu pude fazer, na época eu lidava com meus próprios monstros. Doravante e eu éramos inseparáveis, um dia no parquinho tarde da noite, vimos algo incrível, uma mulher, reluzente, voava acima do chão e tinha um olhar piedoso e carismático e ficamos olhando pra ela e quando nos entreolhamos ela simplesmente sumiu. Corremos para ver quem era a tal pessoa, não conseguimos achar nenhuma pessoa vestida de branco naquele dia e cada um seguiu sua vida achando que por ali tudo terminava.

Minha vida estava para se mostrar perversa e mágica dali em diante.

De noite, vários garotos vinham para minha casa e nós conversávamos em minha rede, eu contava meu dia e eles o deles, tinham garotas também, mas em geral eram meninos, não sei por que nunca me dei bem com garotas. Se alguém entrasse em meu quarto todos iam embora e notei que ninguém os via nem falavam com eles, meus pais católicos não permitiam ninguém lá em casa, mas estes estavam sempre em meu quarto e nunca ninguém fez caso deles, parando pra lembrar da época, sei que não me foi dito que eles não existiam, eu apenas notei. E no desespero de uma criança solitária, lembrei das palavras de meu pai, querida RedLady, Deus faz tudo o que as crianças pedem, absolutamente tudo e eu fiz um desejo.

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